Várias décadas se passaram. Eu havia enterrado meu passado no local onde ele ocorrera, deixando na antiga cidade os antigos amigos. A Irlanda me parecia um local agradável, e para lá eu fui. Com um pouco de jeito, conquistei um "bom velhinho" e não foi difícil, após longos dez anos cuidando dele com toda paciência do mundo, convencê-lo a deixar alguns imóveis para mim, e uma boa quantia de dinheiro, alguns milhares de euros.
No entanto, a eternidade é tempo demais para se viver sozinha e, numa terra nova pra mim eu vivia apenas da diversão de ouvir os rumores de ataques de vampiros pela Grã-Bretanha, boatos inventados por camponeses, totalmente incoerentes, descoesos e distante da realidade. Sempre que possível, eu mostrava, discretamente a um ou outro o que era um ataque vampírico de verdade.
No entanto, um dos boatos me impressionou: um dos empregados da minha casa contou algo sobre a morte de uma jovem menina em Londres, encontrada perto do teatro. Na autópsia, nada fora detectado, apenas anemia profunda. Sim, a menina não tinha quase nenhum sangue nas veias. Mas na verdade, não foi isso que chamou minha atenção verdadeiramente: foi a presença de uma rosa ao lado do corpo da menina.
Na mesma hora, mandei a camareira da casa arrumar minhas malas e o motorista preparar o carro. Acendi um cigarro e olhei pela a janela. Assim que tudo ficou pronto, parti de carro para Londres. Algo me dizia que logo não estaria mais só.
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